terça-feira, janeiro 31, 2006

Carinha vermelha

no infantário do Miguel, fazem a avaliação diária das crianças.
num quadro, estão os nomes dos meninos, e os dias, e consoante o comportamento deles, são colocadas uns smiles, a que eles chamam carinhas: os verdes são para quem se comporta bem, sem fazer nenhuma asneira, os amarelos são para quem faz uma pequena asneira, ou uma birra, ou algo do género, e os vermelhos são para quem faz algo de mais grave.
no final de cada mês é entregue aos pais, o resultado, numa folha. todos os dias o Miguel me diz "mãe hoje tive cara verde!" ou, mais timidamente "mãe hoje tinha uma cara amarela" muito baixinho. excepto um dia em que ele não me disse e eu, como via que ele não dizia perguntei: então e hoje que carinha tiveste? ele responde: não sei, não me lembro, mãe!...
pois é...é que ele nesse dia teve uma carinha vermelha! entregaram-me hoje a folhinha e eu vi lá a cara vermelha, e normalmente nunca pergunto á educadora porquê das caras amarelas, mas vermelha era a primeira, e como é usada muito raramente, eu perguntei.
é que por vezes eles levam os meninos maiores à sala dos mais pequeninos, e foi o que fizeram nesse dia, e o Miguel bateu com toda a sua força num bebé de 10 meses (o bebé estava sentado e ele empurrou-o e fez cair para traz fazendo o bebé bater ligeiramente com a cabeça no chão), porque este lhe tirou um brinquedo da mão... e depois da educadora ralhar, bateu na educadora e pimba... carinha vermelha!
até aí tudo bem, acontece... mas fiquei completamente indignada com o facto de nesse mesmo dia não me terem dito o que se passou! porque não é normal vindo do Miguel, ele não bate noutros meninos, muito menos num bebé, e gostava que a educadora me tivesse dito, para eu lhe dar o MEU sermão... sim porque não basta o dela. ela deu-me razão e disse que se esqueceu...
quando cheguei a casa fui ao pé dele e disse que na folha tinha uma cara vermelha e perguntei-lhe porquê, ele responde: porque eu bati num bebé...... muito baixinho. eu disse: pois é filho, e isso não se faz pois não? e porquê? e ele diz: porque o bebé é pequenino.
Não! filho... não se bate em ninguém, nem em bebés, nem em meninos do teu tamanho, nem em meninos maiores que tu, nem nas educadores, em NINGUEM! ele: pois mãe...não se bate em ninguém...
é por isso que gostava que a educadora me tivesse dito, se não fosse eu a perguntar, não dizia, porque as crianças estao lá mas os pais têm de estar a par das coisas que eles fazem...elas educam lá, mas nós educámos em casa....

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Miguel

vou falar do Miguel.
o Miguel nasceu de parto provocado de 37 semanas. eu estava com as tensões altíssimas e acabei por ir de urgência para o hospital. entrei em pré-eclampsia! podia ter acontecido o pior mas felizmente não...tudo acabou bem. às 15.30h do dia 22 de Abril de 2003 vi-o pela primeira vez... uma sensação indescrítivel.
o Miguel sempre foi um bebé cheio de vida, esteve sempre no percentil 25-50 tanto em peso como em altura. gatinhou aos 7 meses e andou aos 12. tem um desenvilmento espectacular, sempre falou bem e neste momento fala de tudo.
como desde sempre foi uma criança cheia de vida, sempre me preparei para ter um terroristazito cá em casa... o Miguel nunca está parado, nem que esteja a cair de sono.
asneiras então é com ele... está numa fase de castigos. quase todos os dias há um castigo porque o Miguel fez uma asneira, mas tem de ser, eu opto pelos castigos e não pelo "tau-tau".
anda no infantário desde os 18 meses e adaptou-se muito bem, nunca chorou por ter de lá ficar...
é um amor de criança e quando vê alguém chorar vai lá pedir desculpa...como se fosse ele o culpado da pessoa estar a chorar...
está a deixar a linguagem de bebé... o que me faz perceber que está a deixar de ser o meu bebé e a passar a ser o meu menino. mas para mim ele será sempre, o meu bebé.

domingo, janeiro 29, 2006

continuação

disse que escrevia um post a falar da dificuldade que estou a ter em engravidar novamente.
em novembro de 2004, portanto há sensivelmente um ano, descobri que tinha um mioma no útero já grandinho.
marquei de imediato uma cirurgia mas soube, através de umas pesquisas na internet que este tipo de cirurgias podem levar á esterilidade, durante a cirurgia pode ser necessário retirar tudo, nunca se sabe o que vai acontecer na operação, e há sempre o risco de ter que tirar tudo.
não quis arriscar pois apesar de já ter um filho gostava de ter pelo menos mais um... então tive de recorrer a uma embolização, mas como neste país isso ainda não é possível (apenas num hospital particular Francês situado em Lisboa, salvo erro...), fui fazer a França, onde tenho familiares e inclusivé tenho uma familiar que é médica no hospital onde se faz este tipo de tratamento.
a embolização consiste em na introdução de um pequeno tubo plástico de 2 milímetros denominado cateter na artéria que passa pela virilha até atingir as artérias que conduzem ao mioma... são injetadas pequenas partículas plásticas que impedem a passagem de sangue para o mioma, isto fará com que ele páre de crescer e encolha até desaparecer.
felizmente correu tudo bem. é um processo doloroso pois causa muitas dores nos dias seguintes e algumas hemorregias mas nem de longe se deve comparar a uma cirurgia que deve ser muito pior.
depois de fazer este tratamento é possivel engravidar, convém é que a pessoas seja vista regularmente para ver se o mioma está a diminuir. normalmente o tempo de espera até poder tentar engravidar são 6 a 9 meses. depois de fazer exames o meu médico disse que estava tudo perfeito, o mioma diminuiu bastante e o meu útero estava pronto para receber um bebé...
acontece que até agora nada... tento há 9 meses e nada. de salientar que nas anteriores gravidezes demorei 1 a 2 meses até conseguir engravidar... por isso para mim esta espera está a deixar-me ansiosa e anseio o pior... já fui até a vários médicos e todos dizem o mesmo, estou óptima, o mioma já era, estou novinha em folha, mas este segundo bebé tão desejado tarda em chegar.
vejo o Miguel crescer e a chegada de um mano ou mana, que ele tanto quer a ser adiada... gostava de poder dar-lhe um irmão com ele ainda pequenino, para poder aproveita-lo bem, para brincarem juntos... tudo o que sempre sonhei foi ter filhos com 2 anos de diferença de idade... mas o destino está-me a trair, é mesmo assim... cá vou aguardando e ter sempre esperança de ainda vir a gerar uma vida...

sábado, janeiro 28, 2006

a minha história começou assim:

há 4 anos atrás engravidei, sem querer, íamos ser pais apenas com 21 anos.

após alguns obstáculos ultrapassados… lá consegui levar a gravidez adiante.

como descobri muito tarde (12 semanas) fiz logo uma ecografia, estava tudo bem.

às 16 semanas voltei para uma consulta, onde fui espreitar o meu bebé, e ouvir o seu coraçãozinho mais uma vez. o médico descobriu: era uma menina, era a nossa Ritinha!

17 semanas de gravidez, uma semana após essa consulta: acordo com a sensação de estar molhada, ligo a luz, espreito para debaixo dos lençóis: sangue! apercebo-me então das dores de barriga que estou a sentir… grito, sem saber muito bem o que dizer, chamo o nome do meu marido (namorado na altura) ele vê e fica sem palavras… em 5 minutos estávamos no hospital.

era o fim. o fim daquela gravidez que embora não planeada, era muito desejada.

foi uma noite horrível… tive que passar pelo procedimento de um parto. doeu muito. mais psicologicamente…

explicação? nunca consegui encontrar uma que me esclarecesse… aborto espontâneo era o que diziam. com 17 semanas? estava tudo bem, aconteceu…

o desejo de ter um filho aumentou com esta perda, 2 meses depois estava grávida de novo!

desta vez a gravidez vingou, correu bem, exceptuando o último mês… tensões altas, pré-enclampsia, parto provocado de urgência… enfim.

mas tudo acabou bem. nasceu o Miguel a 22 de Abril de 2003 com 3.100 e 47cm.

hoje sei que o Miguel tinha de nascer, a Ritinha teve de ir embora, para o Miguel vir… sei que o Miguel tinha de ser meu filho. Sei também que a Ritinha um dia vai voltar… eu já chamei por ela, mas está difícil, ando há 6 meses a tentar engravidar de novo. Noutro post explico porquê que está a demorar.


filho

amo-te!

dizer isto, chega. dizer-te isto todos os dias, chega, ou será que não? por muito que tente encontrar palavras para explicar este amor não consigo. por muito que tente encontrar uma frase, ou expressão que traduza aquilo que sinto por ti não consigo. vai para além da linguagem humana, vai para além de qualquer expressão que possa existir.
um dia, quero que leias tudo o que sobre ti escrevi, e escrevo, agora aqui neste lugar.
sei que terá um fim mas vou guardar, para que vejas a imensidão do amor que sinto por ti, a imensidão do amor de mãe...
para que vejas como te amo... mas olha! tudo o que aqui escrevo é pouco... tu sabes, é muito pouco... ainda fica muito por dizer, impossível de se traduzir em palavras.

amo-te muito

ínicio

talvez tardio... mas é o ínicio. digo tardio porque aqui falarei do meu passado, do que o passado fez de mim. mas é sempre assim,nós somos um bocadinho do nosso passado. e porque quando uma mulher se torna mãe toda a sua vida gira em volta do seu rebento... e todas as suas palavras por mais que evitemos... falam dele... este espaço servirá para relatar momentos e coisas mais, sobre aquela que é a melhor experiência de toda a minha vida: ser mãe.

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